quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ao contrário


Concentração, largar os medos, irrigar o cérebro. Ver o mundo ao contrário. E permanecer, respirando.

Gelatina de agar-agar salgada, com vagem de baunilha. Maracujá fresco e mel de arroz.


segunda-feira, 11 de abril de 2016

Semear


Quando se semeia espera-se colher. Implícita está a adversidade da natureza. Terra, clima, vontade própria. A imensidão da terra encontra-se pontualmente. Há sonhos de campo verdes, de ramas ao vento, de árvores carregadas de frutos, mas estes sonhos são só sonhos. Aqui em casa há alguns vasos, sementes que germinam e um rabanete. E esta é a realidade.

Ao Vale que visito, à Casa dos Sobreiros com seus socalcos, à levada. A quem com paixão de tudo cuida.







quinta-feira, 7 de abril de 2016

Espera evolutiva


As mudanças são exteriores, dentro a quietude se alimenta estável e presente. Flutuamos nos momentos de espera, como se a vida reunisse pausas delicadas e confusas. O que nos faz estar mais sensíveis ou introspectivos. De um momento para o outro a espiral desenrola-se e dispara numa existência progressiva. Os símbolos são representações da natureza nas quais crescem associações crentes. Que nos ajudem a co-criar belos encontros em sintonia com a vida. A celebrar a Lua, o feminino, a água, a evolução cíclica.
Beterraba cozida temperada com azeite virgem, vinagre de maçã biológico e sal marinho.
Inspiração em, http://food52.com/blog/16477-the-slightly-confusing-avocado-trend-that-s-taking-over-instagram

Obrigada,
Cláudia

terça-feira, 5 de abril de 2016

Fruta em viagem


A fruta acompanha qualquer alma que viaja. Higienicamente protegida quando se faz acompanhar de casca. Mais vulnerável ao toque quando despida. Quer dizer que nela se pode aproveitar quase tudo. Na Ásia ou em África, por onde passei, vendidas na rua, ao quilo, em fatias e pedaços (às vezes temperados) ou em sumo. Há medos que nos travam de experiências, há experiências que nos criam medos. A fruta traz-me recordações sempre boas. A fruta chegou a ser um projecto.

Agora que temos acesso a (quase) tudo, não sabemos bem de onde vêm. Consumimos como queremos, o que queremos. Eu continuo a acreditar nas estações, nas regiões, nos países, na natureza que se encarrega. Desejo é só uma emoção. Às vezes não compensa.

Uma pequena homenagem a uma amiga, que é fada, madrinha.


































Morangos biológicos
Sementes de cacau torradas, caramelizadas e moídas (origem São Tomé e Príncipe)
Folhas frescas de erva cidreira biológica fritas em óleo de coco
Calda de mel de arroz

Obrigada,
Cláudia

quinta-feira, 31 de março de 2016

Intuição


De onde vem? Não lhe conheço princípio, meio e fim. Só identifico o "agora", espontâneo, indiferente a quem não o sente. Só desperta para quem escuta, estima expectante. O mais profundo toque sem gesto. A ausência de tranquilidade baralha-nos os passos, envolve-se e desvia-nos. Apesar de tudo, continuo aqui.
























































Banana pão assada
Funcho assado em azeite virgem e sal marinho
Cogumelos ostra salteados em azeite virgem
Caldo de coco ralado com limão e vagem de baunilha
Sementes de malagueta e azeite para decorar

Obrigada,
Cláudia


terça-feira, 29 de março de 2016

Ao centro


Faz anos que viajo por este país através dos seus variados ingredientes. Conhecimentos passados por uma família querida que foram permanecendo em recordações que me enriquecem o presente. Ingredientes e combinações, remédios caseiros e cuidado nas conjugações. Metáforas que podem criar distracções às fantasias que os compõem. A delicadeza do corte, o respeito pelo alimento, a precisão da matéria. Não foi preciso muito. Nabo biológico, gengibre fresco, caldo de alga kombu com vinagre de maçã e sal marinho. O toque doce do mel de arroz e os rasgos do concentrado de maçã. Tudo finamente cortado aguardando pela individual mistura. A maçã de porte pequeno veio abençoada do mercado das Caldas da Rainha. Por baixo um assado de batata doce e cenoura. Este já é residente, estão-se a acabar os seus dias de glória.
Distante de um silêncio só meu, readapto-me às surpresas da vida, aos planos que passam a ideias, ao presente sussurro do vento que sopra forte junto a uma das lagoas mais extensas e bonitas em iludido abandono. Há sempre uma lágrima que não foi derramada, um sorriso preso em intenção bloqueada ou um retorno ao passado através de objectos que me fazem duvidar quem éramos, mas que não me fazem duvidar quem sou. Este é o meu centro.


Inspiração Japonesa do livro "Cozinha Japonesa com Hurami"

Kimpira regada com caldo Nanbanzuke (adaptado)
Serve 2 

Ingredientes
50 gr de nabo
50gr de maçã
7gr de gengibre fresco
Caju cru para decorar

1dl de água
2 c. sopa de vinagre de maçã
1 c. café de sal marinho
1 tira de 5cm de alga kombu
1 c. sopa de mel de arroz (bem cheia)
Concentrado de maçã para decorar 

Direcções
Juntar à água, a alga kombu, o sal marinho e o vinagre de maçã
Deixar frever durante 10m
Retitar do lume, juntar o mel de arroz e reservar

Lavar e descascar o nabo, o gengibre e a maçã. (atenção à oxidação da maçã)
Cortar finamente (kimpira)
Servir composto num assado ou numa salada
Verter a quantidade suficiente do caldo
Decorar com o caju picado e o concentrado de maçã


Obrigada,
Cláudia

sexta-feira, 18 de março de 2016

 Superfície
Bolo de limão com ruibarbo e arandos frescos






























Na superfície as ondas agarram tempestades, cruzam-se com a chuva, agarram-se ao vento ou permanecem tranquilas à escuta do som livre. Nas profundezas a densidade é grande, a concentração é justa, respira-se clareza. A luz atravessa as águas e o fundo é atraído oportunamente. Vivemos em cadência livre.

Obrigada aos meus queridos pais.
Cláudia