terça-feira, 5 de abril de 2016

Fruta em viagem


A fruta acompanha qualquer alma que viaja. Higienicamente protegida quando se faz acompanhar de casca. Mais vulnerável ao toque quando despida. Quer dizer que nela se pode aproveitar quase tudo. Na Ásia ou em África, por onde passei, vendidas na rua, ao quilo, em fatias e pedaços (às vezes temperados) ou em sumo. Há medos que nos travam de experiências, há experiências que nos criam medos. A fruta traz-me recordações sempre boas. A fruta chegou a ser um projecto.

Agora que temos acesso a (quase) tudo, não sabemos bem de onde vêm. Consumimos como queremos, o que queremos. Eu continuo a acreditar nas estações, nas regiões, nos países, na natureza que se encarrega. Desejo é só uma emoção. Às vezes não compensa.

Uma pequena homenagem a uma amiga, que é fada, madrinha.


































Morangos biológicos
Sementes de cacau torradas, caramelizadas e moídas (origem São Tomé e Príncipe)
Folhas frescas de erva cidreira biológica fritas em óleo de coco
Calda de mel de arroz

Obrigada,
Cláudia

quinta-feira, 31 de março de 2016

Intuição


De onde vem? Não lhe conheço princípio, meio e fim. Só identifico o "agora", espontâneo, indiferente a quem não o sente. Só desperta para quem escuta, estima expectante. O mais profundo toque sem gesto. A ausência de tranquilidade baralha-nos os passos, envolve-se e desvia-nos. Apesar de tudo, continuo aqui.
























































Banana pão assada
Funcho assado em azeite virgem e sal marinho
Cogumelos ostra salteados em azeite virgem
Caldo de coco ralado com limão e vagem de baunilha
Sementes de malagueta e azeite para decorar

Obrigada,
Cláudia


terça-feira, 29 de março de 2016

Ao centro


Faz anos que viajo por este país através dos seus variados ingredientes. Conhecimentos passados por uma família querida que foram permanecendo em recordações que me enriquecem o presente. Ingredientes e combinações, remédios caseiros e cuidado nas conjugações. Metáforas que podem criar distracções às fantasias que os compõem. A delicadeza do corte, o respeito pelo alimento, a precisão da matéria. Não foi preciso muito. Nabo biológico, gengibre fresco, caldo de alga kombu com vinagre de maçã e sal marinho. O toque doce do mel de arroz e os rasgos do concentrado de maçã. Tudo finamente cortado aguardando pela individual mistura. A maçã de porte pequeno veio abençoada do mercado das Caldas da Rainha. Por baixo um assado de batata doce e cenoura. Este já é residente, estão-se a acabar os seus dias de glória.
Distante de um silêncio só meu, readapto-me às surpresas da vida, aos planos que passam a ideias, ao presente sussurro do vento que sopra forte junto a uma das lagoas mais extensas e bonitas em iludido abandono. Há sempre uma lágrima que não foi derramada, um sorriso preso em intenção bloqueada ou um retorno ao passado através de objectos que me fazem duvidar quem éramos, mas que não me fazem duvidar quem sou. Este é o meu centro.


Inspiração Japonesa do livro "Cozinha Japonesa com Hurami"

Kimpira regada com caldo Nanbanzuke (adaptado)
Serve 2 

Ingredientes
50 gr de nabo
50gr de maçã
7gr de gengibre fresco
Caju cru para decorar

1dl de água
2 c. sopa de vinagre de maçã
1 c. café de sal marinho
1 tira de 5cm de alga kombu
1 c. sopa de mel de arroz (bem cheia)
Concentrado de maçã para decorar 

Direcções
Juntar à água, a alga kombu, o sal marinho e o vinagre de maçã
Deixar frever durante 10m
Retitar do lume, juntar o mel de arroz e reservar

Lavar e descascar o nabo, o gengibre e a maçã. (atenção à oxidação da maçã)
Cortar finamente (kimpira)
Servir composto num assado ou numa salada
Verter a quantidade suficiente do caldo
Decorar com o caju picado e o concentrado de maçã


Obrigada,
Cláudia

sexta-feira, 18 de março de 2016

 Superfície
Bolo de limão com ruibarbo e arandos frescos






























Na superfície as ondas agarram tempestades, cruzam-se com a chuva, agarram-se ao vento ou permanecem tranquilas à escuta do som livre. Nas profundezas a densidade é grande, a concentração é justa, respira-se clareza. A luz atravessa as águas e o fundo é atraído oportunamente. Vivemos em cadência livre.

Obrigada aos meus queridos pais.
Cláudia

quarta-feira, 16 de março de 2016

Nabiças 

Um bom molho de nabiças, verde e tenro. Bem lavadas, levemente escaldadas em água fervente e sal marinho. Simples de bonito. Aberto e pleno no seu percurso. A beleza cega do sabor, criação da natureza. O berço da terra, da água, do clima que colaborou com o todo. É assim a vida, que pura alegria. A natureza trata de tudo e tão bem nos coloca no todo.

Nabiça escaldada com molho de miso, sementes de sésamo tostadas e vinagre de cidra.

Obrigada,
Cláudia

sexta-feira, 11 de março de 2016

Celebrar vitórias

Em agradecimento profundo à momentânea inspiração que os alimentos me conferem, às oportunidades infinitas de poder expressar o meu vivido caminho.


































Batatas doces e rabanetes "braseados"

Ingredientes
serve 2

2 batatas doces pequenas (aprox. 200gr)
8 rabanetes biológicos de rama média
3 c. sopa de azeite virgem
2 c. café de sal marinho
1/2 lima
2 ramos de tomilho-limão

Direcções
Lavar bem as batatas e cozer com pele em água fervente e sal marinho (1 c. café)
Descascar, cortar às metades longitudinais e reservar
Lavar os rabanetes e cortar às metades, deixando a rama
Numa frigideira grelha bem quente, colocar 2 c. de azeite
"Brasear" os rabanetes e a batata doce (os rabanetes retirar assim que a folha mirrar, a consistência dos rabanetes deve permanecer rija)
Colocar o tomilho-limão junto à batata, envolvendo-o no azeite
Servir conforme proposto e temperar com o restante azeite, umas gotas de lima (caso necessário rectifique o sal)

Guarnição para pratos principais ou refeição leve.

Obrigada,
Cláudia





terça-feira, 8 de março de 2016

Ir e persistir


Pequenas vagas de calor que nos chegam de mansinho. O Inverno está a ir. Caminhamos pelas ruas encolhidos no frio que nos toca em intensa melancolia. Ansiedade no que está para vir e saudades do que ainda não vimos partir. Vão-se ouvindo os pássaros numa cidade onde os sons apertados se movem em encontrões invisíveis e invasivos
As árvores em silêncio vão-se espreguiçando, abrindo os braços a seu tempo. Erguem-se valentes timidamente despidas. Aguardam pacientemente o que está para vir. Sem futuro, sem perspectivas de "gente".

A aprender alguns pontos, pesquisando o necessário para evoluir no espaço. O ponto de caramelo.

Caramelo de sumo de beterraba com açúcar de coco, cacau cru e sal marinho.

Obrigada,
Cláudia

terça-feira, 1 de março de 2016

Construir e destruir


Aprender a utilizar pensamentos ventosos do dia-a-dia que se atravessam nas traseiras do nosso cérebro. Os becos nem sempre são locais "sem saída". Sob pressão de tempo e espaço reagimos mais rápido, encontramos novas oportunidades, novas hipóteses. É lá que vou muitas vezes, perder tempo, vaguear ao ar livre e respirar. Figurado. Encontro construções e destruições, que resultam bem, às vezes mal. Numa palavra, num rasgo, numa cadeia de peças que se unem e que se ligam, se encaixam e onde crescem ideias.
A prática festeja satisfeita. E sempre espera, esperamos todos, quando chegamos a um beco qualquer onde afinal há sempre, no mínimo, uma saída.




Rabanetes da Fruta Feia, com bicho






Papari, batata doce cozida em leite de coco caseiro com anis e noz moscada, rabanetes "piclados" em sal marinho e vinagre de amora, coentros e gomásio (sementes de sésamo tostadas com sal marinho)

(segue a receita num futuro breve).

Obrigada,
Cláudia 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Pastel de irmão





























"Adoro viver num sítio onde mereço as estações do ano". 
Há sempre uma frase, um olhar, um cheiro, um toque que nos toca. 
O Inverno impressiona-nos. Pelo condicionamento e resistência do que é natural. Recolhimento. Repouso. Escutar o silêncio.

Hoje foi dia de pastéis de chocolate. Visitou-nos o nosso querido amigo Francisco. Que bem que dança, vibração genial ainda meio descoordenada normal da sua idade. Integrará a seu tempo, consumará os sons que lhe são ruído com aqueles que lhe criam ressonância.  Aos pastéis de chocolate seguem-se músicas e danças. Sorrisos expansivos em curtos devaneios. Lembrar que o Inverno caminha lento, mas que dentro do corpo o sangue quente não nos deixa esmorecer.



Ingredientes
30 a 40 unidades
1 chávena de farinha de espelta
1 chávena de leite de coco
1 chávena de coco ralado
1/2 chávena de leite de arroz
1/2 tablete de chocolate
1/2 c. colher de café de sal dos Himalaias
Cacau (sem açucar) para polvilhar

Direcções
Num robot de cozinha colocar o coco ralado e o leite
Juntar o chocolate já partido em pedaços pequenos
Triturar/misturar
Num recipiente colocar a farinha e o sal
Envolver as duas misturas, acrescentar o leite de coco
Colocar o forno a 180º
Forrar o tabuleiro com papel vegetal
Distribuir a mistura com 2 colheres de sobremesa (formando pequenos pasteis)
Polvilhar com cacau
Colocar no forno por 25/30m controlando a consistência


Obrigada,
Cláudia

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016


Múltiplos Asiáticos

Quando nos apaixonamos por um ser humano não é fácil o desapego, a posse, o poder. Perdemos muitas vezes a nossa individualidade. Pego delicadamente num vegetal e observo a sua autonomia. O seu valor, o seu lugar no mundo. Degustar sabores distantes é percorrer um caminho longo, é desistir da ideia de separação no tempo. Escolha, visualização, materialização, aqui o processo revela-se mais interessante que o resultado final. E então torna-se um desafio, o desafio de terminar, falhar ou vingar. Agradecer a oportunidade de errar, de poder continuar a tentar.

Pak choi









































Nirá, (allium tuberosum). O nirá tem um sabor forte a alho.

Sopa com estilo asiático
serve 1

Ingredientes
1/2 pak choi
4 ramos de nirá
2 dentes de alho esmagados
1/2 malagueta
1 dl de leite de coco
1 c. de chá de óleo de coco
2 rabanetes
1 caneca de água fervente
1 c. café de sal marinho
1 rodela de gengibre (5mm de espessura)
1/2 colher de café de açafrão bio
2 cardomomos
1 dose de soba
1/4 de lima

Direcções

Cortar os rabanetes em rodelas finas
temperar com uma pitada de sal
Reservar

Lavar bem a pak choi
Cortar ao meio
Numa frigideira com grelha deixar cozinhar com uma pitada de sal (virando)

Lavar bem o nirá e cortar em pedaços
(pode ser substituído por coentros)

Colocar o óleo de coco num tacho com os alhos esmagados, o gengibre, o cardomomo e a malagueta
Refogar levemente

Deitar o leite de coco, sal e o açafrão
Deixar fever durante 8/10m (para largar o sabor das especiarias)
Juntar a água fervente e a soba.
Cozinhar por 4m

Servir numa taça funda.
Colocar os rabanetes, o nirá e o pak choi (opção cortado)
Espremer a lima e deixar acentar





Que delícia!
Obrigada,
Cláudia

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Sincronicidade

Muito mais do que uma voz, uma imagem, um alimento, um carinho, há uma tentativa de não nos sentirmos sós.

Bolachas de Santo
Serve 2

Ingredientes
1 c sopa (bem cheia) de coco fresco
6 c. sopa de farinha s/ fermento
4 c. açúcar mascavado
1 ovo biológico 
1 c. sopa de sementes de sésamo
5 c. sopa de bebida de aveia
1 pitada de sal fino (utilizei sal dos Himalaias)
4 c. sopa de doce de cereja ou frutos silvestres (sem açúcar)

Direcções
Utilizar um robot de cozinha (ir colocando e misturando os ingredientes)
1. Coco fresco (triturar)
2. Farinha, açúcar
3. Ovo, sal
4. Finalizar a mistura colocando a bebida de aveia
Pré aquecer o forno a 180º
Num tabuleiro forrado com papel vegetal, colocar a mistura.
Espalhar com a ajuda de uma espátula numa camada de 5mm
Colocar o doce com uma c. de chá (numa espécie de círculos repartidos pelo todo)
Espalhar as sementes de sésamo, circundando o doce
Cozinhar entre 30 a 40m
Partir desordenadamente (à mão)

Obrigada,
Cláudia






sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Texturas e cores, nem tanto sabores








Um caso inacabado. Na cor cresceu empatia alargando os poderes da memória. Podemos pensar que nada do que criamos é inovador, mas não podemos questionar a ressonante vibração com o "eu". Num todo estamos nós em partes. 
Às vezes sonho que os meus braços são ramos de árvores, em mim crescem amores, a brisa que passa entre os dedos respira a fragrância das flores que se desprendem na Primavera.

Beterraba, couve-flor, nabo, amêndoas, sementes de linhaça e sésamo. Sal e um caril caseiro, esquecido sem indicação do que lhe combina. Pelo cheiro tem canela e funcho. Provo, está ardente.
No forno vão secando e largando a água que lhes pertence. A textura é estranha, a cor esmoreceu e trouxe uma nova emoção. Não desconsideremos a tristeza, faz parte.
Este dia revelou-se intenso, completou-se com a esperança do que poderá vir até nós. 


Ao segundo dia juntou-se a acelga. 

Quando nos deslocamos do ângulo comum, tudo muda.
A mistura desidratada envolveu-se em azeite, açafrão e sal. As folhas foram salteadas e terminaram em terno encosto. Larguei os talheres. Resolvi comer com as mãos lembrando a cultura Indiana que sussurra baixinho em lembranças coloridas de sons divinos e crentes. Quando se sente um cheiro, vem um tempo, recorda-se um momento. Um passado que se quer santo.





Obrigada,
Cláudia

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Beterraba e nabo.



Ontem caminhei até ao largo do Intendente. Queria sentir o frio na cara.
Precisava arejar ideias, ver pessoas, procurar inspiração e ouvir a intuição.
Da Fruta Feia trouxe beterraba e nabo, grandes. Não cabiam na minha mão. Uma coincidência rara a caminho de um projecto. Vão ser ingredientes importantes. Pela cor, sabor e versatilidade. 
Experimentar o descomplicado.
Olhar para as raízes e perceber que o vento que nos toca é uma carícia constante da natureza que não nos pertence.





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O "Gilda". E com quem caminha.


Gilda 2012

Conheci o "Gilda" pelas ruas de Campo de Ourique, em olhares discretos de curiosas questões que se atravessam, assim de vez em quando. Quando provei o "Gilda" senti afinidade. Prazer da uva que cresce, colhida na vindima, espremida, atentamente cuidada por quem (a) entende. Acondicionada e rotulada com cuidado. Aqui há alma.

Conto o que sinto, o que cheiro, empatia com o palato. Enquanto a apaixonada relação reside, Tó Trips e as tâmaras, levemente picantes e salgadas se esbarram.
O "Gilda" sabe a terra, a autentico. Gosto de o partilhar, oferecer a quem não o conhece, contar o que há para contar. Imaginar e deixar estar.

http://www.tiago-teles.pt/



Tâmaras medjool salgadas


Ingredientes
150gr de tâmaras medjool
1/2 c. de café de flor de sal
1/2 malagueta
1 c. café de óleo de coco

Direcções
Cortar as tâmaras em gomos
Saltear no óleo de coco, lume forte
Adicionar o sal e a malagueta
Deixar caramelizar, tostando

Obrigada, bons brindes.
Cláudia

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Aroma a café


Café é aroma da manhã, de começo de dia, de paragem num silêncio interior que nos inspira.
O cheiro intenso da moagem, do grão torrado. As variações são imensas. Para quem gosta dele intenso, suave, aguado ou em sobremesas. Não é maravilhoso quando admiramos o versátil?
Eu gosto do café do Pena, nome da mercearia mais antiga das Caldas da Rainha. A percentagem de café é reduzida mas a mistura dos diversos cereais é perfeita. É para ir bebendo.
Café, não é de todos os dias. Não há datas, há momentos.

Monte Café, São Tomé e Príncipe. Café Arábica, 100% biológico.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Coco assado na ilha

A Aurora assava o coco lá em casa, íamos buscá-lo para as noites de quinta-feira no Café&Companhia. Eu e o Nino, o empregado do Café, no seu Opel branco com bancos composto e forrados na ausência de esponja. A decoração pendurada no espelho retrovisor balançava no caminho degradado, o alcatrão era uma jigajoga ao volante numa tentativa de contornar o incontornável. A música seguia bem alto, enquanto eu tentava conversar assuntos sérios e responsáveis sobre o Café. Mais tarde, agora não era tempo. 

Recordações daquela ilha. Rodeada de gente que sorri ao mundo e que não espera o amanhã.




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Legumes agridoce

Aipo e maçã reineta, batata doce, cenoura

Gosto de agridoce. Faz-me pensar na maturidade da vida, nos momentos ácidos e nos momentos doces. Palavras sábias vindas dum sussurro inspirador. Aceitar a impermanência dos elementos e procurar uma linha estável, com vagar.
É neste momento único que o palato se tenta definir num ponto equilibrista, mas a conquista está no indivisível, na junção de sabores, no prazer cativante do desentendimento gastronómico.

Estrategicamente finos, os legumes transpiram sabores numa ambiciosa passagem entre camadas. Em oposição crua e intensa os verdes docemente envolvidos no azeite virgem.

É tudo uma passagem breve agridoce.





Ingredientes
serve 2 (aproximadamente 250gr/300gr por pessoa)
2 cenouras médias
2 batatas doces pequenas
2 maçãs reinetas médias
50gr de cabeça de aipo
sal marinho a gosto
2 c. de sopa de azeite virgem

50gr de folhas de espinafre
50gr de agrião
1 c. café de sal marinho
1 c. sopa de azeite virgem
1 c. sobremesa de miolo pistácio

Direcções
Lavar e descascar os legumes
Cortar com mandolina (espessura de 1-2 mm)
Pré-aquecer o forno a 180º
Forrar um tabuleiro com papel vegetal
Colocar os legumes, em camadas uniformemente distribuídas
(utilizar aro de cozinha)
Finalizar regando com o azeite
Tempere com sal marinho
Levar ao forno tapado com papel de alumínio por 30m
Retirar o papel de alumínio e deixar por 15m

Lavar cuidadosamente o espinafre e o agrião
Triturar num robot de cozinha, juntamente com o sal marinho, o azeite virgem e o pistácio
(reservar parte para decoração)

Servir conforme proposto.
Obrigada,
Cláudia












sexta-feira, 29 de janeiro de 2016


Casca de tangerina desidratada

Conheci a Maria de Jesus Pirallo em Lisboa. A Maria é Galega e no verão passado fui visitá-la a Vigo. Resolvemos partilhar conhecimentos e experiências. As nossas ideias tocam-se. Gostamos de produtos frescos e orgânicos, praticamos como base uma alimentação vegetariana e consciente. 
Foi na cozinha da Maria que descobri as cascas de tangerinas desidratadas.
Utilizei-as num risoto de vegetais. Conferiu-lhe um gosto fresco e suave. (pode até chegar ao adocicado se as papilas gustativas viajarem até lá) A Maria utiliza-as em chás, sobremesas e nos flocos de aveia.
O aproveitamento máximo do elemento, encanta-me.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Safu, fruto de São Tomé e Príncipe


Memórias de outros tempos, de sabores e cores vindas de um país africano. Culturas que nascem da terra fértil onde Deus criou folhas verdes e sorrisos rasgados num povo que carrega o coração e a alegria em olhares profundos cheios de luz. Onde os verdadeiros contadores da vida o fazem sem palavras.

Safu é um fruto mas come-se salgado. É delicadamente luminoso e polido, longo e rijo quando maduro, cresce em árvores de copa volumosa. Vende-se no mercado ou pela rua, por mulheres carregadando alguidares no topo da cabeça, erguidas em esguia figura caminhando delicadamente num equilíbro admirável.
Dizem, quem gosta de Safu, já não sai de São Tomé. Acreditemos que há sempre uma parte de nós que fica por onde passamos. A lembrança de quem os compra, os carrega e mos faz chegar a casa, em feliz agradecimento.

Fecho os olhos, sinto o cheiro, provo o safu cozido e reconheço a textura suave, o sabor amargo e forte até chegar ao caroço. Comem-se vários. E fica-se satisfeito. Pouco é muito, quando o paladar presente chega a um passado, onde o calor tropical fez crescer este e outros frutos abençoados pela natureza em generosa abundância.










Ingredientes
Safu (4 a 5 unidades) 
Sal marinho

Direcções
Lavar 
Raspar parte da casca (dizem que o fazem por questões de estética)
Cozer em água fervente temperada com sal, por 3m

Obrigada e "Comé béga chaô".




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Alface

Alface é um vegetal verde. Carregado de água. Faz lembrar o verão. Mas também cresce no Inverno.Quase sempre é consumida crua. Às vezes numa sopa. Lembrei-me de lhe dar uma passagem rápida pelo lume. Num semi. Gosto de ver as cores vivas dos alimentos, sentir a passagem entre o cru e o cozinhado. A consistência ficou maravilhosa. Serviu para largar a ideia que poderíamos estar noutra estação, que não esta.

Alface Galega, da Fruta Feia


Alface Galega
Serve 2 pessoas

Ingredientes
2 alfaces galegas (são de tamanho pequeno e compridas)
250 gr de abóbora hokkaido (à venda nas lojas de produtos biológicos)
1 colher de sopa de masala caseira
(sementes de mostarda, pau de canela, noz moscada, cardomomo, pimenta, baunilha, sementes de coentros)
2 colheres de sopa de azeite 
1 colher de chá de óleo de coco (na frigideira)

1 colher de café de sal marinho






Direcções
Lavar bem a alface, retirando o caule. Deixar o ramo inteiro e uno.
Lavar a abóbora (deixar a casca, é comestível, tenra e saborosa)
Cortar em fatias finas (tipo gomos)
Temperar com azeite, sal e masala
Numa frigideira grelha colocar o óleo de coco, deixar aquecer. 
Dispor as fatias de abóbora e deixar cozinhar, retirar
Colocar a alface inteira numa frigideira grelha e virar (num processo rápido entre 1 a 2m)


Obrigada. Bom apetite,
Cláudia