sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Coco assado na ilha

A Aurora assava o coco lá em casa, íamos buscá-lo para as noites de quinta-feira no Café&Companhia. Eu e o Nino, o empregado do Café, no seu Opel branco com bancos composto e forrados na ausência de esponja. A decoração pendurada no espelho retrovisor balançava no caminho degradado, o alcatrão era uma jigajoga ao volante numa tentativa de contornar o incontornável. A música seguia bem alto, enquanto eu tentava conversar assuntos sérios e responsáveis sobre o Café. Mais tarde, agora não era tempo. 

Recordações daquela ilha. Rodeada de gente que sorri ao mundo e que não espera o amanhã.




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Legumes agridoce

Aipo e maçã reineta, batata doce, cenoura

Gosto de agridoce. Faz-me pensar na maturidade da vida, nos momentos ácidos e nos momentos doces. Palavras sábias vindas dum sussurro inspirador. Aceitar a impermanência dos elementos e procurar uma linha estável, com vagar.
É neste momento único que o palato se tenta definir num ponto equilibrista, mas a conquista está no indivisível, na junção de sabores, no prazer cativante do desentendimento gastronómico.

Estrategicamente finos, os legumes transpiram sabores numa ambiciosa passagem entre camadas. Em oposição crua e intensa os verdes docemente envolvidos no azeite virgem.

É tudo uma passagem breve agridoce.





Ingredientes
serve 2 (aproximadamente 250gr/300gr por pessoa)
2 cenouras médias
2 batatas doces pequenas
2 maçãs reinetas médias
50gr de cabeça de aipo
sal marinho a gosto
2 c. de sopa de azeite virgem

50gr de folhas de espinafre
50gr de agrião
1 c. café de sal marinho
1 c. sopa de azeite virgem
1 c. sobremesa de miolo pistácio

Direcções
Lavar e descascar os legumes
Cortar com mandolina (espessura de 1-2 mm)
Pré-aquecer o forno a 180º
Forrar um tabuleiro com papel vegetal
Colocar os legumes, em camadas uniformemente distribuídas
(utilizar aro de cozinha)
Finalizar regando com o azeite
Tempere com sal marinho
Levar ao forno tapado com papel de alumínio por 30m
Retirar o papel de alumínio e deixar por 15m

Lavar cuidadosamente o espinafre e o agrião
Triturar num robot de cozinha, juntamente com o sal marinho, o azeite virgem e o pistácio
(reservar parte para decoração)

Servir conforme proposto.
Obrigada,
Cláudia












sexta-feira, 29 de janeiro de 2016


Casca de tangerina desidratada

Conheci a Maria de Jesus Pirallo em Lisboa. A Maria é Galega e no verão passado fui visitá-la a Vigo. Resolvemos partilhar conhecimentos e experiências. As nossas ideias tocam-se. Gostamos de produtos frescos e orgânicos, praticamos como base uma alimentação vegetariana e consciente. 
Foi na cozinha da Maria que descobri as cascas de tangerinas desidratadas.
Utilizei-as num risoto de vegetais. Conferiu-lhe um gosto fresco e suave. (pode até chegar ao adocicado se as papilas gustativas viajarem até lá) A Maria utiliza-as em chás, sobremesas e nos flocos de aveia.
O aproveitamento máximo do elemento, encanta-me.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Safu, fruto de São Tomé e Príncipe


Memórias de outros tempos, de sabores e cores vindas de um país africano. Culturas que nascem da terra fértil onde Deus criou folhas verdes e sorrisos rasgados num povo que carrega o coração e a alegria em olhares profundos cheios de luz. Onde os verdadeiros contadores da vida o fazem sem palavras.

Safu é um fruto mas come-se salgado. É delicadamente luminoso e polido, longo e rijo quando maduro, cresce em árvores de copa volumosa. Vende-se no mercado ou pela rua, por mulheres carregadando alguidares no topo da cabeça, erguidas em esguia figura caminhando delicadamente num equilíbro admirável.
Dizem, quem gosta de Safu, já não sai de São Tomé. Acreditemos que há sempre uma parte de nós que fica por onde passamos. A lembrança de quem os compra, os carrega e mos faz chegar a casa, em feliz agradecimento.

Fecho os olhos, sinto o cheiro, provo o safu cozido e reconheço a textura suave, o sabor amargo e forte até chegar ao caroço. Comem-se vários. E fica-se satisfeito. Pouco é muito, quando o paladar presente chega a um passado, onde o calor tropical fez crescer este e outros frutos abençoados pela natureza em generosa abundância.










Ingredientes
Safu (4 a 5 unidades) 
Sal marinho

Direcções
Lavar 
Raspar parte da casca (dizem que o fazem por questões de estética)
Cozer em água fervente temperada com sal, por 3m

Obrigada e "Comé béga chaô".




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Alface

Alface é um vegetal verde. Carregado de água. Faz lembrar o verão. Mas também cresce no Inverno.Quase sempre é consumida crua. Às vezes numa sopa. Lembrei-me de lhe dar uma passagem rápida pelo lume. Num semi. Gosto de ver as cores vivas dos alimentos, sentir a passagem entre o cru e o cozinhado. A consistência ficou maravilhosa. Serviu para largar a ideia que poderíamos estar noutra estação, que não esta.

Alface Galega, da Fruta Feia


Alface Galega
Serve 2 pessoas

Ingredientes
2 alfaces galegas (são de tamanho pequeno e compridas)
250 gr de abóbora hokkaido (à venda nas lojas de produtos biológicos)
1 colher de sopa de masala caseira
(sementes de mostarda, pau de canela, noz moscada, cardomomo, pimenta, baunilha, sementes de coentros)
2 colheres de sopa de azeite 
1 colher de chá de óleo de coco (na frigideira)

1 colher de café de sal marinho






Direcções
Lavar bem a alface, retirando o caule. Deixar o ramo inteiro e uno.
Lavar a abóbora (deixar a casca, é comestível, tenra e saborosa)
Cortar em fatias finas (tipo gomos)
Temperar com azeite, sal e masala
Numa frigideira grelha colocar o óleo de coco, deixar aquecer. 
Dispor as fatias de abóbora e deixar cozinhar, retirar
Colocar a alface inteira numa frigideira grelha e virar (num processo rápido entre 1 a 2m)


Obrigada. Bom apetite,
Cláudia




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Caldo doce de Inverno. Batata doce, nabo e beterraba.


Caldo doce de legumes

Batatas doces, nabo e beterraba. É terça-feira. Ontem foi dia de Fruta Feia. Descascar é uma surpresa, desvendar as cores imaginando os sabores, a frescura da consistência que resistiu ao frio e à geada do inverno. Em conformidade com a plena adaptação do clima húmido que nos faz caminhar de ombros encolhidos resistentes em aceitar que estamos na estação certa.

A palavra caldo traz conforto, aconchega e desperta à separação dos sabores. 
Os legumes laminei-os finos. O processo lento da cozedura libertou os aromas adocicados em tom saudável.

Tempero de azeite e shoyu. Amêndoas laminadas torradas, envolvidas em sal e geleia de arroz numa mistura crocante em oposição às finas fatias de variados pigmentos. 

Experimentem a descontrução facultada pelos elementos de um processo básico.


Caldo de batata doce, nabo e beterraba
Aproximadamente 2 litros, serve 4 pessoas

Ingredientes:
3 colheres sopa de azeite
1 colher de chá de shoyu
1 beterraba grande
1 nabo grande
2 batatas doces médias
11/2 litro de água
1 colher de café de sal marinho
1/4 de cúrcuma fresca

Direcções:
Preparar os vegetais
Cortar finamente (em mandolina ou faca afiada)
Colocar 1 colher sopa de azeite no fundo do tacho, os vegetais e a corcuma, refogar sem mexer por 2m
Adicionar o sal e a água, tapar
5. Cozer até os vegetais ficarem tenros e consistentes
Servir num prato fundo o caldo, os vegetais em camadas, por último o crocante de amêndoa
Num recipiente misture o restante azeite com o shoyu ajustando o tempero


Crocante de amêndoa

Ingredientes:
1 colher de sopa de amêndoas laminadas previamente torradas
1 colher de sopa de geleia de arroz (ou mel)
1 pitada de flor de sal

Direcções:
Numa frigideira colocar as amêndoas, o sal e o mel
Envolver numa consistência crocante


Obrigada e bom caldo,
Cláudia