Safu, fruto de São Tomé e Príncipe
Memórias
de outros tempos, de sabores e cores vindas de um país africano. Culturas que
nascem da terra fértil onde Deus criou folhas verdes e sorrisos rasgados num
povo que carrega o coração e a alegria em olhares profundos cheios de luz. Onde
os verdadeiros contadores da vida o fazem sem palavras.
Safu é
um fruto mas come-se salgado. É delicadamente luminoso e polido, longo e rijo
quando maduro, cresce em árvores de copa volumosa. Vende-se no mercado ou pela
rua, por mulheres carregadando alguidares no topo da cabeça, erguidas em esguia
figura caminhando delicadamente num equilíbro admirável.
Dizem,
quem gosta de Safu, já não sai de São Tomé. Acreditemos que há sempre uma parte
de nós que fica por onde passamos. A lembrança de quem os compra, os carrega e
mos faz chegar a casa, em feliz agradecimento.
Fecho os
olhos, sinto o cheiro, provo o safu cozido e reconheço a textura suave, o sabor
amargo e forte até chegar ao caroço. Comem-se vários. E fica-se satisfeito.
Pouco é muito, quando o paladar presente chega a um passado, onde o calor
tropical fez crescer este e outros frutos abençoados pela natureza em generosa
abundância.





